domingo, 27 de novembro de 2016

28 de Novembro de 2016

Tenho vinte tantos anos, e poucas coisas mudaram de lá pra cá, umas para melhor, muitas para pior. Quando criança meu mostro invisível me fazia correr. Agora me faz paralisar no desconforto da minha cama, longe da luz, das pessoas, da sanidade. Qualquer movimento brusco é cansativo, minha carne queima e meus ossos são de chumbo... Se mexer é tão exaustivo como viver.

Não é a primeira crise, nem a pior, o problema é que até onde esse mostro pode me envenenar? Sinto que ele consome todos meus sentimentos, deixando apenas o incomodo da vida com o medo de morrer. Caso tenha entendido o sentido dessa ultima parte, sinto lhe informar que temos uma doença em comum.

Hoje por ser um dia lúcido, resolvi entender a razão do meu sintoma. E pelo pesquisei, pessoas que sonham acordadas, que se aprofundam nos pensamentos em geral, tentem a ser depressivas. Sempre fui do tipo diálogos imaginários sem limites, nem sentido, seus rumos são tão incerto e irreais, na minha mente eu crio cenas, acontecimentos e as reações que teria.

Poucas coisas mudaram de lá para cá, continuo sonhadora, o problema é que tive que crescer, lidar com a perda, entender que as pessoas mudam, e eu mudei, fui desleal com meus princípios, deixei a inveja me corromper e meus pensamentos me sentenciam a encarar meus erros. Sou culpada por me importar demais e sonhar mais alto que o permitido.