domingo, 27 de novembro de 2016

28 de Novembro de 2016

Tenho vinte tantos anos, e poucas coisas mudaram de lá pra cá, umas para melhor, muitas para pior. Quando criança meu mostro invisível me fazia correr. Agora me faz paralisar no desconforto da minha cama, longe da luz, das pessoas, da sanidade. Qualquer movimento brusco é cansativo, minha carne queima e meus ossos são de chumbo... Se mexer é tão exaustivo como viver.

Não é a primeira crise, nem a pior, o problema é que até onde esse mostro pode me envenenar? Sinto que ele consome todos meus sentimentos, deixando apenas o incomodo da vida com o medo de morrer. Caso tenha entendido o sentido dessa ultima parte, sinto lhe informar que temos uma doença em comum.

Hoje por ser um dia lúcido, resolvi entender a razão do meu sintoma. E pelo pesquisei, pessoas que sonham acordadas, que se aprofundam nos pensamentos em geral, tentem a ser depressivas. Sempre fui do tipo diálogos imaginários sem limites, nem sentido, seus rumos são tão incerto e irreais, na minha mente eu crio cenas, acontecimentos e as reações que teria.

Poucas coisas mudaram de lá para cá, continuo sonhadora, o problema é que tive que crescer, lidar com a perda, entender que as pessoas mudam, e eu mudei, fui desleal com meus princípios, deixei a inveja me corromper e meus pensamentos me sentenciam a encarar meus erros. Sou culpada por me importar demais e sonhar mais alto que o permitido.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

08 de Agosto de 2016

A minha voltas aulas começou muito promissora.
Primeiro que no caminho de ida, ao atravessar aquela caverna de concreto, cheia de gente vindo de várias direções com o andar apressado, também conhecido como metrô no horários de bico.  Comecei a pensar com os meus botões sobre a faculdade que estaria retomando naquele dia, e de repente diante da realidade, venho o choque que hoje será meu retorno as aulas no 4º semestre em Direito. De imediato, pensei e provavelmente falei alto “que inferno, puta que pariu!!!”, diferente do 1º semestre que eu mal pudia dormir para ir no primeiro dia de aula, este semestre eu provavelmente serei presa por tentativa de homicídio.
A minha empolgação é tão grande que eu estava a ponto de dá meia volta para casa, mas resolvi respirar fundo e encarar a realidade. Pois eu já tinha perdido a primeira semana de aula e hoje eu preciso pagar duas mensalidade de uma vez, com juros e multa, isso sim anima qualquer ser humano…   a cometer suicídio. Quando mais penso os motivos que eu devo ir para a aula, mas eu me irrito e mais quero empurrar esses bonecos de gente que só sabe esparrar e se arrastar no metrô.
O que me impressiona é a minha instabilidade, pois a minha primeira faculdade não concluída foi bacharelado e licenciatura em história, depois apenas a matricula paga de Segurança da Informação e agora estou nem na metade de Direito. Mesmo eu gostando ou não do curso ou dos professores, eu tenho que continuar a faculdade, já é a terceira escolha e o tempo só corre. Hoje eu tenho 23 anos, mas tem gente que sabe menos do que eu o que quer da vida e já é formado em alguma graduação. Além disso, estou cansada de ganhar pouco e trabalhar muito, não que eu vá ficar rica, mas com certeza dá para tirar um pouco mais de um salário minimo como advogada, se eu passar na OAB – MAS QUE MERDAAAAA, o que eu estava pensando quando fiz essa escolha.
Bom, gostando ou não eu já estava atrasada, assim que consegui sair do metrô fui direto para o terminal de ônibus. A parte boa de não ser pontual, é que o horário de bico já havia passado e a fila do ônibus estava pequena. Na minha frente tinha duas pessoas, primeiro uma senhora de meia idade conversando com outra mulher fora da fila, segundo e bem na minha frente uma criatura que parou nos anos 2000, fumando seu cigarro, com toda a marra que uma bandana do Slipknot amarrada na cabeça pode dá, no pulso munhequeira do Korn, uma calça preta de moletom, uma blusa de frio muito legal do Deadpool, e um par de fones no ouvidos, com uma mensagem clara e em bom som de não me incomode.
O problema é que eu precisava saber as horas, tudo bem que estava atrasada de qualquer forma e nada iria mudar se eu soubesse que horas são, porém eu iria saber se tava para chegar até o intervalo ou não, o que se tornou crucial para me decidir se eu ficaria para a aula ou só pagaria as mensalidades que estava devendo e voltaria para casa. Por sorte, chegou um rapaz na fila atras de mim, ele tinha uma ar mais receptivo, apesar do estilo dele ser menos extravagante do que o cara da minha frente, ele tinha apena um alargador de uns 20mm, e uma blusa de moletom discreta preta.  Resolvi perguntar as horas para ele, depois de várias batidas no bolso da calça, ele encontrou o celular no buraco negro da blusa de moletom. Seria muito gentil se ele simplesmente falasse as horas, mas por ser simpático ele mostrou o celular e eu vi a hora, com uma BUNDA ENORME na tela. Cara, eu já tô atrasada, só queria saber as horas e não ver a bunda de uma mulher também, mas pelo menos a bunda era bonita. Meio constrangida, disfarcei e fingi não me incomodar com a bunda, agradeci ao rapaz e me virei para frente, logo o ônibus chegou e me sentei para ir para a faculdade, era 20h04 e eu chegaria a tempo de assistir as duas ultimas aulas.
É, esse semestre promete…